SHANGHAI

SHANGHAI

À margem do Rio Huangpu, próximo a foz do imponente Yang-tsé-king, no lado leste da China, conheci um lugar mágico e fascinante; a “cidade acima do mar”.
No litoral do oceano Pacífico, Xangai é a maior cidade da República Popular da China, com mais de 17 milhões de habitantes e um dos quatro municípios do país com status de província.
Nos anos de 1930, Xangai tornou-se um dos maiores portos marítimos da Ásia e terceiro centro financeiro do mundo. Um passeio pelo Bund, a avenida à beira do rio Huangpu, revela um pouco do que deve ter sido a cidade naqueles anos de opulência e domínio estrangeiro. Estão lá até hoje os prédios coloniais, sedes de grandes bancos, hotéis, clubes e escritórios, que representavam a grandiosidade daquela potência comercial.
Também conhecido como Zhongshan Dong Yi Road, uma caminhada pelo Bund pode levar algumas boas horas, que devem ser divididas em dois períodos: de dia, quando milhares de chineses e turistas de todas as partes do mundo se misturam por ali num vai e vem inacreditável, e à noite, quando se pode ver a iluminação espetacular da moderna silhueta do Pudong.
Vale a pena visitar o Hong Kong & Shanghai Bank, construído em 1921 com a fama de ser o prédio mais bonito da Ásia, com seus belos murais restaurados e logo na entrada seus dois leões de bronze, símbolo do poder colonial, e que hoje são “acariciados” nas patas e cabeça, por todos que precisam a atrair a sorte.
Passando a Casa da Alfândega, vemos o Peace Hotel, antigo Cathai Hotel, construído em 1930 pelo milionário Sir Victor Sassoon, homem de negócios que fez fortuna comercializando armas e ópio. Fotógrafo apaixonado adorava dar festas extravagantes nos salões do Cathai e hospedava políticos e celebridades do mundo inteiro, entre eles Charles Chaplin, General Marshal e Bernard Shaw.
Foi também ali, que Noel Coward terminou sua famosa peça, Private Lives.
Reserve uma noite para ir ao Jazz Bar, com sua atmosfera e drinks exóticos, e curta a Old Jazz Band, formada por 6 músicos veteranos, cuja idade média está acima dos 75 anos.
Mesmo quem tenha viajado muito e conhecido várias partes do planeta, fica desnorteado na China.
A barreira da língua é somente um dos obstáculos. E todos os idiomas que porventura você tenha escutado, vão soar como música diante do mandarim. E a escrita, “nem se fala“. Então a solução são os cartõezinhos na mão e uma idéia fixa na cabeça, para chegar onde se pretende.
O inglês ajuda, para que saibam que você é estrangeiro e está perdido. Se na juventude, você como eu, gostava de brincar de mímica, vai se divertir muito por lá.
E foi assim que comecei a descobrir essa cidade incrível, onde ninguém falava meu idioma e todos me pareciam velhos conhecidos. Principalmente quando queriam me vender bolsas, relógios, óculos e tudo o mais que se imaginar, falso. A pirataria é absolutamente institucionalizada. E todos os vendedores são candidatos a prêmios de atuação e persuasão. Ninguém precisa se preocupar em encontrar nada. Eles encontram você. E não largam do seu pé enquanto não te empurram uma Vuitton, Gucci, D&G, Rolex, Ralph Lauren e mais um sem número de produtos de que você não precisa, mas compra porque é “igualzinho” e custa um décimo do preço original. Aconteceu comigo, e saí feliz da vida com uma enorme mala vermelha, que até hoje não encontro lugar para guardar.
Não se iludam com as seguintes frases: feito à mão, seda pura da melhor qualidade, couro legítimo, e dura a vida inteira. Uma amiga que caiu nessa armadilha, já tratou de trocar sua carteira de “couro legítimo”, que só durou até o Rio.
Entrando nas vielas mais escuras e obscuras (sem o menor receio de assalto), fomos conduzidas através de diversas portas blindadas que se abriam para o que para duas mulheres, era a verdadeira visão do paraíso. Desde os produtos mais toscos, até os famosos “drop offs” produtos realmente produzidos nas fábricas (tudo no mundo é made in China), e que por razões suspeitas, foram parar naqueles “cofres”, para êxtase de minha amiga tomada por um “surto comprista”.
Em matéria de barganha, o chinês é imbatível. Tudo, mas absolutamente tudo, será sempre mais barato do que na primeira abordagem. Uma dica preciosa: não toque em nada que não esteja interessado de verdade. Olhe com os olhos e de soslaio, caso não queira meia dúzia de chineses atrás de você, com cara de ofendidos, suplicantes ou amigos de infância. Máquina de calcular na mão e munida de uma paciência milenar, travei essa batalha de preços inúmeras vezes, sempre saindo com a certeza de estar sendo passada para trás. Principalmente quando recebia meu objeto de desejo de um “oponente” pra lá de risonho. Definitivamente os chineses são guerreiros de primeira linha, não dá para competir.
Para completar o quesito compras, a East Nanjing Road, concentra lojas de departamento e um comércio varejista bastante variado.
Um achado fascinante, foi a “flagship store” da Annabel Lee, no número 1 da Lane 8 no Bund. Produtos de casa, linha de cama, pijamas e blusas, feitas de seda, algodão e linho chineses, de excelente qualidade e bom gosto. A loja é o máximo e merece uma visita.
Participar de um ritual do chá, olhar de longe uma sessão de tai chi chuan coletiva, passear entre as bancadas de um mercado de frutas e legumes (alguns jamais vistos), e explorar os Li nongs, que são casinhas de vila, bem apertadas como num cortiço, onde as roupas ficam estendidas de uma janela à outra e as pessoas cozinham, jogam cartas ou simplesmente conversam ao ar livre, sem se incomodarem com a vida ou as pessoas que passam, são programas imperdíveis, para se conhecer melhor a cidade.
O anoitecer em Xangai, com o skyline do Pudong, bairro novíssimo e centro financeiro na margem oposta do rio Huangpu, construído no que até 1995 era uma área de favelas, impressiona e é o retrato do futuro, com seu céu poluído e de cor indefinida.
Sente-se no Bar Rouge (7F,18 Zhongshan Dong Yi Road) e na companhia de um bom Dry Martini, espere a noite chegar por detrás das torres e prédios de aço, vidro e concreto, iluminados numa espécie de competição feérica. É de tirar o fôlego, e tira mesmo.
Logo embaixo fica o Sens&Bund, um restaurante Relais & Chateaux, comandado pelos chefs e irmãos Jacques e Laurent Pourcel.
Perder-se numa cidade, dizem, é a melhor maneira de conhecê-la, e me perder em Xangai foi uma aventura inesquecível. Nenhum chinês resiste sem um sorriso, ao seu “ni rao” (olá), pronunciado cheio de entusiasmo e ar de familiaridade com a língua de Confúcio.
Atravessar ruas e cruzamentos é uma tarefa perigosa para nós, ocidentais. Depois de dois dias eu já estava me sentindo irmã de El Cordobés, tal a destreza com que enfrentava as centenas de motos, bicicletas, riquixás, scooters, carros e ônibus que se lançavam sobre quem estivesse passando, sem a menor cerimônia. Na China, ninguém tem tempo a perder, e várias buzinadas e sustos depois, aprendi mais essa lição.
Ouvi dizer que nunca se presenteia um aniversariante chinês com relógios, porque faz recordar que o tempo passa, se eu soubesse disso teria deixado o meu no Rio…
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À margem do Rio Huangpu, próximo a foz do imponente Yang-tsé-king, no lado leste da China, conheci um lugar mágico e fascinante; a “cidade acima do mar”.
No litoral do oceano Pacífico, Xangai é a maior cidade da República Popular da China, com mais de 17 milhões de habitantes e um dos quatro municípios do país com status de província.
Nos anos de 1930, Xangai tornou-se um dos maiores portos marítimos da Ásia e terceiro centro financeiro do mundo. Um passeio pelo Bund, a avenida à beira do rio Huangpu, revela um pouco do que deve ter sido a cidade naqueles anos de opulência e domínio estrangeiro. Estão lá até hoje os prédios coloniais, sedes de grandes bancos, hotéis, clubes e escritórios, que representavam a grandiosidade daquela potência comercial.
Também conhecido como Zhongshan Dong Yi Road, uma caminhada pelo Bund pode levar algumas boas horas, que devem ser divididas em dois períodos: de dia, quando milhares de chineses e turistas de todas as partes do mundo se misturam por ali num vai e vem inacreditável, e à noite, quando se pode ver a iluminação espetacular da moderna silhueta do Pudong.
Vale a pena visitar o Hong Kong & Shanghai Bank, construído em 1921 com a fama de ser o prédio mais bonito da Ásia, com seus belos murais restaurados e logo na entrada seus dois leões de bronze, símbolo do poder colonial, e que hoje são “acariciados” nas patas e cabeça, por todos que precisam a atrair a sorte.
Passando a Casa da Alfândega, vemos o Peace Hotel, antigo Cathai Hotel, construído em 1930 pelo milionário Sir Victor Sassoon, homem de negócios que fez fortuna comercializando armas e ópio. Fotógrafo apaixonado adorava dar festas extravagantes nos salões do Cathai e hospedava políticos e celebridades do mundo inteiro, entre eles Charles Chaplin, General Marshal e Bernard Shaw.
Foi também ali, que Noel Coward terminou sua famosa peça, Private Lives.
Reserve uma noite para ir ao Jazz Bar, com sua atmosfera e drinks exóticos, e curta a Old Jazz Band, formada por 6 músicos veteranos, cuja idade média está acima dos 75 anos.
Mesmo quem tenha viajado muito e conhecido várias partes do planeta, fica desnorteado na China.
A barreira da língua é somente um dos obstáculos. E todos os idiomas que porventura você tenha escutado, vão soar como música diante do mandarim. E a escrita, “nem se fala“. Então a solução são os cartõezinhos na mão e uma idéia fixa na cabeça, para chegar onde se pretende.
O inglês ajuda, para que saibam que você é estrangeiro e está perdido. Se na juventude, você como eu, gostava de brincar de mímica, vai se divertir muito por lá.
E foi assim que comecei a descobrir essa cidade incrível, onde ninguém falava meu idioma e todos me pareciam velhos conhecidos. Principalmente quando queriam me vender bolsas, relógios, óculos e tudo o mais que se imaginar, falso. A pirataria é absolutamente institucionalizada. E todos os vendedores são candidatos a prêmios de atuação e persuasão. Ninguém precisa se preocupar em encontrar nada. Eles encontram você. E não largam do seu pé enquanto não te empurram uma Vuitton, Gucci, D&G, Rolex, Ralph Lauren e mais um sem número de produtos de que você não precisa, mas compra porque é “igualzinho” e custa um décimo do preço original. Aconteceu comigo, e saí feliz da vida com uma enorme mala vermelha, que até hoje não encontro lugar para guardar.
Não se iludam com as seguintes frases: feito à mão, seda pura da melhor qualidade, couro legítimo, e dura a vida inteira. Uma amiga que caiu nessa armadilha, já tratou de trocar sua carteira de “couro legítimo”, que só durou até o Rio.
Entrando nas vielas mais escuras e obscuras (sem o menor receio de assalto), fomos conduzidas através de diversas portas blindadas que se abriam para o que para duas mulheres, era a verdadeira visão do paraíso. Desde os produtos mais toscos, até os famosos “drop offs” produtos realmente produzidos nas fábricas (tudo no mundo é made in China), e que por razões suspeitas, foram parar naqueles “cofres”, para êxtase de minha amiga tomada por um “surto comprista”.
Em matéria de barganha, o chinês é imbatível. Tudo, mas absolutamente tudo, será sempre mais barato do que na primeira abordagem. Uma dica preciosa: não toque em nada que não esteja interessado de verdade. Olhe com os olhos e de soslaio, caso não queira meia dúzia de chineses atrás de você, com cara de ofendidos, suplicantes ou amigos de infância. Máquina de calcular na mão e munida de uma paciência milenar, travei essa batalha de preços inúmeras vezes, sempre saindo com a certeza de estar sendo passada para trás. Principalmente quando recebia meu objeto de desejo de um “oponente” pra lá de risonho. Definitivamente os chineses são guerreiros de primeira linha, não dá para competir.
Para completar o quesito compras, a East Nanjing Road, concentra lojas de departamento e um comércio varejista bastante variado.
Um achado fascinante, foi a “flagship store” da Annabel Lee, no número 1 da Lane 8 no Bund. Produtos de casa, linha de cama, pijamas e blusas, feitas de seda, algodão e linho chineses, de excelente qualidade e bom gosto. A loja é o máximo e merece uma visita.
Participar de um ritual do chá, olhar de longe uma sessão de tai chi chuan coletiva, passear entre as bancadas de um mercado de frutas e legumes (alguns jamais vistos), e explorar os Li nongs, que são casinhas de vila, bem apertadas como num cortiço, onde as roupas ficam estendidas de uma janela à outra e as pessoas cozinham, jogam cartas ou simplesmente conversam ao ar livre, sem se incomodarem com a vida ou as pessoas que passam, são programas imperdíveis, para se conhecer melhor a cidade.
O anoitecer em Xangai, com o skyline do Pudong, bairro novíssimo e centro financeiro na margem oposta do rio Huangpu, construído no que até 1995 era uma área de favelas, impressiona e é o retrato do futuro, com seu céu poluído e de cor indefinida.
Sente-se no Bar Rouge (7F,18 Zhongshan Dong Yi Road) e na companhia de um bom Dry Martini, espere a noite chegar por detrás das torres e prédios de aço, vidro e concreto, iluminados numa espécie de competição feérica. É de tirar o fôlego, e tira mesmo.
Logo embaixo fica o Sens&Bund, um restaurante Relais & Chateaux, comandado pelos chefs e irmãos Jacques e Laurent Pourcel.
Perder-se numa cidade, dizem, é a melhor maneira de conhecê-la, e me perder em Xangai foi uma aventura inesquecível. Nenhum chinês resiste sem um sorriso, ao seu “ni rao” (olá), pronunciado cheio de entusiasmo e ar de familiaridade com a língua de Confúcio.
Atravessar ruas e cruzamentos é uma tarefa perigosa para nós, ocidentais. Depois de dois dias eu já estava me sentindo irmã de El Cordobés, tal a destreza com que enfrentava as centenas de motos, bicicletas, riquixás, scooters, carros e ônibus que se lançavam sobre quem estivesse passando, sem a menor cerimônia. Na China, ninguém tem tempo a perder, e várias buzinadas e sustos depois, aprendi mais essa lição.
Ouvi dizer que nunca se presenteia um aniversariante chinês com relógios, porque faz recordar que o tempo passa, se eu soubesse disso teria deixado o meu no Rio…

SHANGHAI

À margem do Rio Huangpu, próximo a foz do imponente Yang-tsé-king, no lado leste da China, conheci um lugar mágico e fascinante; a “cidade acima do mar”.
No litoral do oceano Pacífico, Xangai é a maior cidade da República Popular da China, com mais de 17 milhões de habitantes e um dos quatro municípios do país com status de província.
Nos anos de 1930, Xangai tornou-se um dos maiores portos marítimos da Ásia e terceiro centro financeiro do mundo. Um passeio pelo Bund, a avenida à beira do rio Huangpu, revela um pouco do que deve ter sido a cidade naqueles anos de opulência e domínio estrangeiro. Estão lá até hoje os prédios coloniais, sedes de grandes bancos, hotéis, clubes e escritórios, que representavam a grandiosidade daquela potência comercial.
Também conhecido como Zhongshan Dong Yi Road, uma caminhada pelo Bund pode levar algumas boas horas, que devem ser divididas em dois períodos: de dia, quando milhares de chineses e turistas de todas as partes do mundo se misturam por ali num vai e vem inacreditável, e à noite, quando se pode ver a iluminação espetacular da moderna silhueta do Pudong.
Vale a pena visitar o Hong Kong & Shanghai Bank, construído em 1921 com a fama de ser o prédio mais bonito da Ásia, com seus belos murais restaurados e logo na entrada seus dois leões de bronze, símbolo do poder colonial, e que hoje são “acariciados” nas patas e cabeça, por todos que precisam a atrair a sorte.
Passando a Casa da Alfândega, vemos o Peace Hotel, antigo Cathai Hotel, construído em 1930 pelo milionário Sir Victor Sassoon, homem de negócios que fez fortuna comercializando armas e ópio. Fotógrafo apaixonado adorava dar festas extravagantes nos salões do Cathai e hospedava políticos e celebridades do mundo inteiro, entre eles Charles Chaplin, General Marshal e Bernard Shaw.
Foi também ali, que Noel Coward terminou sua famosa peça, Private Lives.
Reserve uma noite para ir ao Jazz Bar, com sua atmosfera e drinks exóticos, e curta a Old Jazz Band, formada por 6 músicos veteranos, cuja idade média está acima dos 75 anos.
Mesmo quem tenha viajado muito e conhecido várias partes do planeta, fica desnorteado na China.
A barreira da língua é somente um dos obstáculos. E todos os idiomas que porventura você tenha escutado, vão soar como música diante do mandarim. E a escrita, “nem se fala“. Então a solução são os cartõezinhos na mão e uma idéia fixa na cabeça, para chegar onde se pretende.
O inglês ajuda, para que saibam que você é estrangeiro e está perdido. Se na juventude, você como eu, gostava de brincar de mímica, vai se divertir muito por lá.
E foi assim que comecei a descobrir essa cidade incrível, onde ninguém falava meu idioma e todos me pareciam velhos conhecidos. Principalmente quando queriam me vender bolsas, relógios, óculos e tudo o mais que se imaginar, falso. A pirataria é absolutamente institucionalizada. E todos os vendedores são candidatos a prêmios de atuação e persuasão. Ninguém precisa se preocupar em encontrar nada. Eles encontram você. E não largam do seu pé enquanto não te empurram uma Vuitton, Gucci, D&G, Rolex, Ralph Lauren e mais um sem número de produtos de que você não precisa, mas compra porque é “igualzinho” e custa um décimo do preço original. Aconteceu comigo, e saí feliz da vida com uma enorme mala vermelha, que até hoje não encontro lugar para guardar.
Não se iludam com as seguintes frases: feito à mão, seda pura da melhor qualidade, couro legítimo, e dura a vida inteira. Uma amiga que caiu nessa armadilha, já tratou de trocar sua carteira de “couro legítimo”, que só durou até o Rio.
Entrando nas vielas mais escuras e obscuras (sem o menor receio de assalto), fomos conduzidas através de diversas portas blindadas que se abriam para o que para duas mulheres, era a verdadeira visão do paraíso. Desde os produtos mais toscos, até os famosos “drop offs” produtos realmente produzidos nas fábricas (tudo no mundo é made in China), e que por razões suspeitas, foram parar naqueles “cofres”, para êxtase de minha amiga tomada por um “surto comprista”.
Em matéria de barganha, o chinês é imbatível. Tudo, mas absolutamente tudo, será sempre mais barato do que na primeira abordagem. Uma dica preciosa: não toque em nada que não esteja interessado de verdade. Olhe com os olhos e de soslaio, caso não queira meia dúzia de chineses atrás de você, com cara de ofendidos, suplicantes ou amigos de infância. Máquina de calcular na mão e munida de uma paciência milenar, travei essa batalha de preços inúmeras vezes, sempre saindo com a certeza de estar sendo passada para trás. Principalmente quando recebia meu objeto de desejo de um “oponente” pra lá de risonho. Definitivamente os chineses são guerreiros de primeira linha, não dá para competir.
Para completar o quesito compras, a East Nanjing Road, concentra lojas de departamento e um comércio varejista bastante variado.
Um achado fascinante, foi a “flagship store” da Annabel Lee, no número 1 da Lane 8 no Bund. Produtos de casa, linha de cama, pijamas e blusas, feitas de seda, algodão e linho chineses, de excelente qualidade e bom gosto. A loja é o máximo e merece uma visita.
Participar de um ritual do chá, olhar de longe uma sessão de tai chi chuan coletiva, passear entre as bancadas de um mercado de frutas e legumes (alguns jamais vistos), e explorar os Li nongs, que são casinhas de vila, bem apertadas como num cortiço, onde as roupas ficam estendidas de uma janela à outra e as pessoas cozinham, jogam cartas ou simplesmente conversam ao ar livre, sem se incomodarem com a vida ou as pessoas que passam, são programas imperdíveis, para se conhecer melhor a cidade.
O anoitecer em Xangai, com o skyline do Pudong, bairro novíssimo e centro financeiro na margem oposta do rio Huangpu, construído no que até 1995 era uma área de favelas, impressiona e é o retrato do futuro, com seu céu poluído e de cor indefinida.
Sente-se no Bar Rouge (7F,18 Zhongshan Dong Yi Road) e na companhia de um bom Dry Martini, espere a noite chegar por detrás das torres e prédios de aço, vidro e concreto, iluminados numa espécie de competição feérica. É de tirar o fôlego, e tira mesmo.
Logo embaixo fica o Sens&Bund, um restaurante Relais & Chateaux, comandado pelos chefs e irmãos Jacques e Laurent Pourcel.
Perder-se numa cidade, dizem, é a melhor maneira de conhecê-la, e me perder em Xangai foi uma aventura inesquecível. Nenhum chinês resiste sem um sorriso, ao seu “ni rao” (olá), pronunciado cheio de entusiasmo e ar de familiaridade com a língua de Confúcio.
Atravessar ruas e cruzamentos é uma tarefa perigosa para nós, ocidentais. Depois de dois dias eu já estava me sentindo irmã de El Cordobés, tal a destreza com que enfrentava as centenas de motos, bicicletas, riquixás, scooters, carros e ônibus que se lançavam sobre quem estivesse passando, sem a menor cerimônia. Na China, ninguém tem tempo a perder, e várias buzinadas e sustos depois, aprendi mais essa lição.
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